segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Cérebro: Poderes e reações.

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Com belas e sugestivas ilustrações de Nelson Provazi que, no entanto, pecam por sugerirem componentes mecânicos na constituição do que é totalmente orgânico, a Super Interessante de agosto de 2006 trouxe uma reportagem, assinada por Rafael Kenski, intitulada A REVOLUÇÃO DO CÉREBRO, que faz cair por terra crenças antigas como:

- Só usamos 10% da capacidade cerebral.

- No nascimento o cérebro está praticamente formado e não nascem novos neurônios durante a vida.

E que sugere super poderes do cérebro:

  • Mudar a própria forma.

  • Regenerar suas partes.

  • Mover objetos.

  • Ler pensamentos.

  • Ampliar seus poderes.

Sem dúvida é super interessante mas, independentemente da confirmação e efetivação desses super poderes, o término da reportagem é pragmático:

“Para o bem ou para o mal, o nosso conhecimento sobre a mente aumentará daqui em diante. Mas, mesmo com novas máquinas e remédios, nenhuma tecnologia será capaz de fazer você saber o que nunca aprendeu. A capacidade do seu cérebro depende, antes de mais nada, de tudo o que leu, viu, experimentou e viveu. E isso depende apenas de você.”

Touché...

Também na mesma revista, e também sobre o cérebro, outra reportagem que reproduzo na íntegra e que é bastante atual, uma vez que este é um ano eleitoral:

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“ ‘O Alckmin é muito superior.’ ‘Não: ninguém é melhor que o Lula!’ Às vésperas da eleição presidencial, discussões como essa acontecem em todos os cantos do país. Você sabe dizer qual dos lados está com a razão? Se sabe, sua resposta está errada. E se pensou ‘Nenhum, o melhor é o do meu partido’, também não tem razão nenhuma. Calma, não se ofenda. É que, segundo um estudo da Universidade Emory (EUA), nem você nem ninguém com preferência política pode ser racional numa discussão. E o motivo é simples: o cérebro não tem acesso à razão nessas horas.

No estudo da Emory, 30 pessoas filiadas aos principais partidos americanos (Republicano e Democrata) foram colocadas em máquinas de ressonância magnética e tiveram a atividade cerebral monitorada enquanto liam trechos de frases de George W. Bush e John Kerry da época em que eles eram candidatos à Presidência. Em seguida, pediu-se aos voluntários que apontassem contradições no discurso dos candidatos.

Quando a tarefa foi realizada com o candidato oponente, tudo ocorreu como o esperado: a área responsável pelo julgamento racional entrou em funcionamento. Mas, na hora de falar dos erros do candidato do coração, os voluntários perderam a razão. ‘Não houve nenhum aumento de atividade nas partes do cérebro envolvidas com o raciocínio logico. Em vez disso, vários circuitos neurais envolvidos com a emoção se acenderam’, afirma Drew Westen, líder da pesquisa.

A avalanche emocional no cérebro dos partidários desligou as áreas que controlam sentimentos negativos, como tristeza e desgosto, e ligou o circuito neural de recompensa, o mesmo que é acionado quando um viciado se droga. Com isso, eles ficaram mais preparados para defender cegamente o candidato favorito. ‘O resultado é que as crenças do partidário foram reforçadas e quase nenhum dado novo foi levado em conta’, diz Westen. O cientista acredita que a razão some do cérebro não só na política, mas também em todos os assuntos nos quais há interesse pessoal inconsciente, desde a religião até a ciência. Você pode discordar. Mas será que está usando a razão?”

Está explicado porque alguns eleitores votam em determinados candidatos…