sábado, 24 de abril de 2010

Medicina/Sacerdócio/Ganância. - 2

Caduceu

Quando, algumas semanas atrás, escrevi a primeira parte desta postagem, a interrompi com o comentário ‘A mim parece óbvio’, mas ao tentar concluir o assunto a obviedade desapareceu; são tantos os fatores que interferem e contribuem para a escolha das condutas a assumir e do caminho a seguir na vida que seria necessário um livro para abordar todos eles e me restringirei a alguns comentários.

São evidentes as diferenças entre indivíduos previdentes e indivíduos gananciosos, não é necessário discorrer sobre isso, nossa pauta é o comportamento ganancioso.

Karen Horney, psicanalista alemã, defende a ideia de que a busca de poder, prestígio e posses, assim como a busca de afeição, seria uma maneira de se conseguir tranquilidade interior, e não teria que ser necessariamente um desejo neurótico; no homem normal esse desejo nasceria da consciência das próprias capacidades e no neurótico de sentimentos de inferioridade e insegurança. Particularmente creio que o desejo não neurótico de riquezas,  proveniente de capacidades reais, produziria benefícios compartilhados com outros indivíduos e acúmulo equilibrado de poder e posses, ao contrário daquele proveniente da insegurança que provocaria acúmulo exagerado e não compartilhado, na vã tentativa de neutralizar a insegurança.

Considerado, desde antes do surgimento do cristianismo, como um dos sete pecados capitais, a ganância faz parte das características humanas que toda filosofia, religiosa ou não, prega ser necessário refrear; mas convenhamos, não existe muito estímulo para esse refreamento em uma sociedade na qual possuir cada vez mais coisas e prerrogativas  é o mais importante  e é considerado bobo quem não pensa assim.

Reconheço que o capitalismo é produtor de conforto e facilidades, mas é evidente que o acumulo excessivo por uns provoca falta para outros; e interessa referir que jamais encontrei alguém que defendesse abertamente a ganância, apenas questionam sua contrapartida, a generosidade, acenando com a possibilidade de carência futura ou argumentam que é tudo uma questão de capacidades individuais; existem até ditos populares sobre o assunto:

“Quem não tem capacidade que não se estabeleça.”

“Quem poupa o que tem não mendiga o  de ninguém.”

“O sol nasceu para todos, a sombra para os espertos.”

De acordo com alguns autores este comportamento ganancioso estaria baseado em uma necessidade infantil de posses por não haver, a criança, aprendido a renunciar, adaptando-se à realidade de não ser necessário nem possível possuir tudo que se deseja.

Portanto coexistirão, sabe-se lá até quando, ‘inteligentes’ gananciosos e ‘bobos’ éticos independentemente das profissões e das causas... Infelizmente!

Para concluir vale a pena citar Tomás Pablo Paschero, um dos mestres da Homeopatia, que fala na ‘transformação do egoísmo infantil em altruísmo adulto’ durante o processo de cura real do homem e, textualmente, Teilhard de Chardin, filosofo evolucionista:

“O homem se ‘humaniza’ graças ao esforço que ele realiza sobre si mesmo.”

Um vídeo pertinente: Entrevista com Robert Happé.