quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

A Condição Humana.

image Importa ao médico e a todo cuidador,  ter consciência da real condição humana, uma vez que a saúde que buscamos está determinada, na maior  parte, pelas potencialidades e fragilidades do objeto de nosso interesse…O homem.

À respeito dessa condição, exprimiu-se magistralmente Karl Jaspers, psiquiatra alemão,  em seu livro Psicopatologia Geral, que teve a primeira edição publicada em 1913. 

“O homem ocupa uma posição especial. Com ele entrou no mundo algo absolutamente diverso do animal. A questão é saber o que é esse algo. Embora, quanto a seu corpo, possa ser enquadrado dentro das classificações zoológicas, o homem apresenta, mesmo anatomicamente, caracteres somáticos próprios: não apenas o andar ereto e outras características particulares, mas talvez até uma constituição somática especifica que, entre todas as formas de vida, lhe conserva mais possibilidades e é menos especializada do que qualquer outra. Como expressão do ser humano, o corpo o distingue com certeza de todos os animais. Psiquicamente o homem é um salto completo. Os animais nem choram nem riem. A inteligência dos macacos não é espírito. Não é pensamento verdadeiro, mas apenas aquela atenção astuta que, no homem, é condição prévia do pensamento, nunca o próprio pensamento. De há muito, se consideram traços essenciais do homem a liberdade, a reflexão, e espírito. O animal tem seu destino natural, que se cumpre automaticamente pelas leis da natureza. O homem, além disso, possui um destino cujo cumprimento é entregue a ele mesmo. Mas o homem nunca é um ser puramente espiritual. Até às mínimas ramificações de seu espírito, é determinado pelas necessidades da natureza. Como seres puramente espirituais, épocas passadas imaginaram e construíram a existência dos anjos, O homem não é nem anjo nem animal. Situando-se entre ambos, possui as determinações de ambos sem, no entanto, poder ser nenhum dos dois.

Uma outra questão é saber como essa posição especial do homem determina também a sua enfermidade. Nas doenças somáticas é tão semelhante ao animal que investigações em animais ajudam sempre a compreender sua vitalidade somática, embora nada possa ser transferido sem mais, de maneira absolutamente idêntica. O conceito de enfermidade mental, porém, recebe no homem uma dimensão inteiramente nova. O não ser acabado, o ser aberto e livre, a possibilidade ilimitada constitui para o homem fundamento de doença. Em comparação com os animais, é para ele vitalmente impossível uma perfeição originária. O homem deve conquistá-la como forma de sua vida. Não é um mero resultado. É para si mesmo uma tarefa. No que é um simples bom resultado, está mais próximo do animal”.

É o homem, portanto, diferente de tudo que já se moveu ou se move sobre a terra e, se  organicamente está preso a um patrimonio genético, psiquicamente é sempre um ‘vir a ser’, gozando sempre da possibilidade de se transformar, não podendo nunca se dar por terminado.

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